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Workshop do Fica 2026 resulta em carta que propõe avanços para a preservação audiovisual em Goiás

Documento elaborado por especialistas, gestores e pesquisadores defende políticas públicas permanentes para garantir a proteção e o acesso ao patrimônio audiovisual

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Um dos principais resultados da programação técnica da 27ª edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica 2026) foi a elaboração da Carta pela Preservação Audiovisual como Direito, Memória e Política Pública. O documento foi construído durante o Workshop Desafios da Preservação Audiovisual, realizado no dia 18 de junho, na cidade de Goiás, e reúne propostas para fortalecer as ações de preservação, organização, difusão e acesso ao patrimônio audiovisual em Goiás e no Brasil.

O workshop reuniu representantes de instituições culturais, universidades, arquivos, museus, festivais, pesquisadores, estudantes, realizadores e gestores públicos para discutir os principais desafios e perspectivas da área. Como resultado, foi produzido um documento que reconhece a preservação audiovisual como uma política estratégica para a cultura, a cidadania e a memória coletiva.

Entre os participantes estiveram a preservadora audiovisual Débora Butruce, da diretoria da Associação Brasileira de Preservação Audiovisual (ABPA); o gerente de Fomento ao Audiovisual e Salas de Cinema da Secretaria de Estado da Cultura (Secult Goiás), Gabriel Bastos; a coordenadora do Museu da Imagem e do Som de Goiás (MIS Goiás), Gisele Garcia; o cineasta Eudaldo Guimarães; a técnica em audiovisual da Universidade Estadual de Goiás (UEG) e produtora do Laboratório Universitário de Memória Audiovisual (Luminav), Kely Carvalho; e a coordenadora do Luminav, professora Geórgia Cynara, responsável pela mediação dos debates.

Preservação como política pública

A carta parte do entendimento de que a preservação audiovisual vai muito além da guarda de imagens e sons produzidos ao longo do tempo. Para os participantes, trata-se de uma estratégia fundamental para garantir o direito à memória, fortalecer a cidadania, preservar identidades culturais e assegurar que as futuras gerações tenham acesso à história e às diversas formas de expressão da sociedade.

O documento também aponta desafios que ainda comprometem a preservação dos acervos audiovisuais brasileiros, como a ausência de fontes permanentes de financiamento, a escassez de profissionais especializados, os altos custos de conservação e digitalização, a rápida obsolescência tecnológica de equipamentos e suportes, além das dificuldades relacionadas aos direitos autorais e ao acesso público aos acervos.

Entre os encaminhamentos apresentados está a necessidade de ampliar a cooperação entre instituições públicas e privadas, universidades, festivais e centros de memória, além de estimular a criação de laboratórios e estruturas técnicas compartilhadas para otimizar recursos e ampliar o acesso à infraestrutura necessária para a preservação dos acervos.

Outro consenso do encontro foi a importância de incorporar a preservação audiovisual desde as etapas iniciais da produção de filmes e demais obras do setor. A adoção de práticas de catalogação, documentação e armazenamento adequado desde o início dos projetos foi apontada como uma forma de evitar perdas irreparáveis e reduzir custos futuros de recuperação.

Desafios e perspectivas para Goiás

No contexto goiano, a carta destaca a relevância das iniciativas desenvolvidas por instituições públicas, universidades e agentes culturais dedicados à preservação da memória audiovisual do estado. Entre elas, os participantes reconhecem o Repositório Digital Audiovisual Goiano, atualmente em implementação pela Secult Goiás, como uma iniciativa estratégica para a preservação, organização e difusão permanente do patrimônio audiovisual goiano.

Também foi defendida na publicação a construção de uma política estadual de preservação audiovisual, articulada entre poder público, universidades, instituições culturais, festivais e sociedade civil. A proposta inclui ações voltadas ao mapeamento de acervos, formação técnica especializada, fortalecimento dos espaços de memória, preservação física e digital dos materiais e ampliação do acesso público aos conteúdos preservados.

Também foi destacada a necessidade de descentralizar as políticas de preservação, valorizando arquivos, museus e centros de memória localizados fora dos grandes centros urbanos. A carta ressalta ainda a importância dos acervos comunitários, familiares e pessoais para a construção de narrativas diversas e representativas da memória coletiva.

Compromisso com a memória

Ao final, os participantes reafirmam que a preservação audiovisual deve ser tratada como uma política pública estratégica para Goiás, capaz de garantir o direito à memória, à cultura, à informação e à diversidade cultural. A carta conclui que preservar é um compromisso com a história, a democracia e as futuras gerações, e defende a continuidade das articulações iniciadas durante o Fica 2026 para transformar as propostas debatidas em ações concretas.

A carta pode ser conferida na íntegra clicando aqui.

O festival

O Fica foi realizado de 16 a 21 de junho, na cidade de Goiás. O evento é promovido pelo Governo de Goiás, por meio por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult Goiás), em correalização com a Universidade Federal de Goiás (UFG), por meio da Fundação RTVE, e colaboração estratégica da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Saneago.

A iniciativa conta ainda com a cooperação da Unesco, por meio de sua Cátedra Saberes Patrimoniais, Biodiversidade e Cidadania; Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI); Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), por meio do Museu dos Povos Indígenas; e MapBiomas.

Somam-se aos parceiros as secretarias de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), da Saúde (SES), de Esporte e Lazer (Seel), da Educação (Seduc), da Economia, de Desenvolvimento Social (Seds) e da Retomada. Integram ainda a realização o Goiás Social, Corpo de Bombeiros Militar de Goiás, a Polícia Militar de Goiás, Universidade Estadual de Goiás (UEG), Instituto Federal Goiano (IF Goiano), Senac Goiás, Prefeitura de Goiás, Associação de Profissionais do Audiovisual Negro (Apan), e Festival Lanterna Mágica.

Fotos: Secult Goiás

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